
Os olhos são os primeiros a morrer
Quando não há mais coração
Os ombros carregam o peso
De uma vida na contramão
Vingança só alimenta
Gente de pupilas opacas
As minhas, de tão luminosas
Aviso, permanecerão intactas
Pode escolher novas caretas
Que das velhas já me cansei
E trata de avisar a corja, burra, mas bem treinada
Que é uma pena, mas me libertei!
Munida da minha coleção de palavras
Minha arma de festim
Converto em poesia
A indigestão que causou em mim
Virgem de maldade
Aprendo com a idade
E até arrasto saudade
Dos tempos em que nossas pupilas eram “iguais”
Crescer tem dessas coisas
Entender que gente pode trocar
De telefone, de cor de cabelo, de emprego
E até de brilho no olhar
(Crescer tem dessas coisas)
Entender que energia imunda
Mata mesmo e bem devagar
E que inimigos nos servem
Mesmo para não duvidar!
E até pra não perder o juízo
Que é uma tendência particular
De quem quer viver em abundância
Amar, amar, amar!
Os olhos ousam sobreviver
Mesmo sob incessante agressão
Minha alma carrega o peso
de uma borboleta, ao vento,
sempre na minha direção
PS: Duvide de pessoas sem brilho no olhar!

