quinta-feira, 1 de maio de 2008

As pernas não valem de nada


Já não há tempo para escrever poesia
Nem vírgula ou ponto, te conto! Nem linha
Sobra a vontade, a minha
De poetizar, sozinha


Sonhos que se perdem no travesseiro
Nem sempre encontram caminho de volta
Espero, feito mãe preocupada
Que aquele, o mais rebelde
Volte pra casa


Boas idéias, de aborrecidas pelo descaso
Confundem em mim tempo, direção, compasso
Me esforço e me acho
E volto no ritmo, no primo e no trato


[Hoje...]
Não como, engulo
Não durmo, cochilo
Não grito, sussurro
Não choro, suspiro


Mas me faço sorriso, di-a-ri-a-mente
Pra provocar o medo e o perigo
Que se sente quando se vê
Que a vida, às vezes, corre da gente


Acontece que mais rápida que ela
É a filha que ela pariu
Que de tão maluca e sutil

...
Escolheu ao invés das pernas,
As asas...


PS: Foi Guimarães Rosa quem me ensinou “viver é perigoso”.

4 Somas:

Roberta disse...

Ahhh menina danada... sabia que a fase sem poesias logo logo sucumbiria!! Que bom, que bom, que bom!!

Nada melhor que sentir o vento no rosto do bater das nossas próprias asas e de asas alheias.

bjusss

gustavo torrezan disse...

Querida Ju, venho acompanhando seu blog faz um tempo...cada vez mais vejo a sensibilidade do seu olhar esta "materializado" nesses hipertextos! quanta alegria em poder ler, poder compartilhar, poder te conhecer..."me faço sorriso"!
Você tem tem um presente brilhante e um futuro formidável, siga!
beijo grande! saudades enormes!
gu
ah, me e-mail no msn: ghtorrezan@hotmail.com

Neto disse...

Viver é perigoso e outro poeta disse que morrer não dói! Por mais Byronista que isso possa parecer, as pernas se vão, mas as asas ficam! Parabéns pelo poema!
Grande beijo

Dalcides disse...

Ju, uma poesia pra você, do Menotti Del Picchia .
Tia Mariana

o Vôo

Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti.

Não indagues se nossas estradas, tempo e vento,
desabam no abismo.
Que sabes tu do fim?
Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o de estrelas.


Conserva a ilusão de que teu vôo te leva sempre
para o mais alto.


No deslumbramento da ascensão
se pressentires que amanhã estarás mudo
esgota, como um pássaro, as canções que tens
na garganta.
Canta. Canta para conservar a ilusão de festa e de vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste não és mais que um vôo no tempo.
Rumo do céu?
Que importa a rota.
Voa e canta enquanto resistirem as asas.