sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Desigual


Esse hoje é verdadeiro...

Desigual [Hoje]


Assalto a mão armada
Para ver se leva dignidade

Assalto a mão armada
Pra perder invisibilidade

É a sociedade a conviver com o que criou
É Nike, é Nike e mais tudo o que não partilhou

É a múltipa fome
O que é identidade o bicho-homem come
A pobreza já narrou

E tem grito de desespero:
--- No chão, no chão!

Mais flash de história
Amor em outra forma
Medo na contramão

A indiferença bate na porta
Pra todo mundo um dia é hora
Sem aviso, indicação

O risco é de vida
não sei se de morte, não
Por que triste mesmo
é
ter que temer irmão!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Vergonha



“África, cadê seu trono de rainha? Dona da realeza, mãe da matéria-prima. Vai levar a vida inteira pra lhe agradacer...” (Rainha, música de Céu)


Vergonha

Esperanças equilibristas
Verdades escatológicas
Os deuses todos em coma!

Condições subumanas
Desespero!
É a sensação de impotência, não o medo


Putrefação dos destinos
Sublimação dos sentidos
Condenação

Nascem aprisionados
Penalizados
Sorrisos? Sem direção

O mundo se esqueceu...
O mundo se perdeu...
E eu, onde é que eu estava?

Olhos marejados
Os meus...
A cabeça dói (inevitável a enxaqueca da responsabilidade)
E a vergonha da humanidade!
(Você!
Tem vergonha de quê?)

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Convite


Vamos revelarmo- nus; dessincronizar-nos do tempo
Mesmo que somente arranhando a superfície
Num sentimento oceânico de continuidade
Celebrando até os excessos da desmedida vida humana
Mediando desloucamentos
Envolvendo-nos
A ousadia é a mimese cósmica
Quem quer mesmo pateticamente imitar os astros?
Engessemos a vida fastfoodiana
Para dar lugar aos sentidos
À plenitude das sensações
Esvaziemos o descomprometimento cotidiano
O tempo não pára...
Tampouco vale menos do que os nossos relógios...
Vivamos em abundância!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Ponto e pausa

A vida é fim [ponto]
Felicidade é fim [ponto]
Riso tem fim [ponto]
Dor também [ponto]
Amor é quase dor [ponto]
Amor tem quase fim [ponto]
Se tudo isso é lógico [pausa]
Pra quê tanto medo?!
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Poça d'água



Numa poça d'água vi meu reflexo torto
Como saber se essa não é minha imagem?
Como saber se sou verdade?
A poça d'água reflete tudo o que está acima
É limitada, portanto, a um 'submundo aquático'
Meu interior não se reflete em poça d'água
Se expande no ar, que este sempre existe
Poça d'água seca com o sol
O ar persiste
Acontece que, por vezes, só mesmo a poça d'água consegue refletir o céu no chão
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domingo, 4 de novembro de 2007

Pétala, por pétala



Rosa Viva

vou deixar aroma até nos meus espinhos, rosa que sou...
que o vento vá falando de mim, posto que é leve
quero perder-me para que não se esqueçam de mim
e viver intensa mesmo que breve

vou desfolhar-me para não ter fim
pétala e pétala, por pétala que dance
sorrio leve para guerras em mim
prossigo mito ainda que canse

levo comigo ardor e procura
altar e prece que me revele
canto que nina, dor que me cura
excedo vida que sempre prossegue...